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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Body Electric: Behind The Scenes








 Em Holliwood o assistente de direção é um profissional que se encontra invisível aos olhos do espectador, mas que define o funcionamento de tudo por trás das câmeras, é nos bastidores que tudo acontece.

Ao contraio da maioria das garotas que sonhavam em ser atrizes ao ver lindas cenas de ação ou romance nas telonas, eu sempre me encantei com os profissionais que faziam tudo aquilo acontecer. Levou tempo, mas consegui trabalhar com o que eu amo.

O som agudo do megafone cortou o ar frio daquela manhã, o ruído alarmou alguns figurantes que estavam por ali. Subi numa cadeira de madeira colocada estrategicamente próxima a mim e fiz meu habitual discurso.

Sejam bem-vindos! Se estão em busca de sombra e água fresca... estão na merda de lugar de lugar errado, meus amigos! meus colegas de trabalho riram e os novatos se entreolharam desconfiados. Mas se procuram por trabalho duro e noites mal dormidas, este é o lugar! Meu nome é Bobbi. Sou a primeira assistente de direção, aos novatos, por favor, se dirijam somente a mim ou aos assistentes de produção aqui ao meu lado apontei para Andie e Lucas os dois mais próximos colegas que tenho no estúdio, eles são mais jovens que eu ainda com seus 23 e 24 anos respectivamente. nós temos um cronograma de gravação a seguir rigorosamente, e ele já esta devidamente colado em todas as paredes desse lugar. Vamos trabalhar!

Desci da cadeira após as apresentações e recebi das mãos de Lucas meu cinto com o rádio, fones de ouvido e um bolso pra colocar os scripts. Durante o dia esses acessórios vão se modificando, algumas coisas entram outras saem e no fim do dia eu pareço um cabide humano, coberta por vários itens. O estúdio estava repleto de técnicos, era um filme policial com perseguição e tiros. A equipe de cenários e som estava trabalhando duro.

Virei-me para encaixar o megafone no cinto e um pesado par de botas parou diante de mim, desviando minha atenção para o chão. Meus olhos foram subindo, ele usava um jeans azul escuro, camiseta branca um pouco colada marcando alguns músculos do abdômen e jaqueta preta de sarja e finalmente um par de olhos azuis, tão azuis que nem pareciam reais, e ele estava muito próximo a mim o que me fez dar um passo para trás então ele sorriu.

Eu adorei o discurso! corei na hora sentindo meu rosto queimar e ele percebeu soltando a tão linda risada.

Oh... sorri tentando explicar Aquilo foi só pra quebrar o gelo.

Fez-se um silencio por alguns segundos quando ele olhou fundo nos meus olhos.

Ehh... desculpa ser inconveniente. Mas sou uma grande fã sua tentei não parecer fangirl e apenas mostrar o quanto o admiro como ator, mas minha respiração estava descompassada. Acompanho seu trabalho desde sempre e é incrível, será um prazer mesmo trabalhar com você. ele ficou serio por um momento e depois sorriu novamente.

Obrigado, estou ansioso para começar a gravar. Adorei o clima entre as pessoas aqui, acho que vou adorar.

A voz dele preenchia cada milímetro do ambiente, era como se todos os outros ali presentes ficassem mudos e só se pudesse ouvir o tom da voz e o sotaque absurdamente charmoso daquele britânico.

Outro silêncio se fez quando sorri de volta e novamente nos encaramos, ele parecia tentar ver alguma coisa através de mim e isso me deixava extremamente desconfortável. A voz de Ian nos assustou ao mesmo tempo ganhando nossa atenção para ele.

Bobbi eu vou levar o Tom ate lá fora e depois vou resolver algumas coisas. Cuide de tudo aqui ate eu voltar.

Claro chefe. respondi imediatamente.

 Ian fez sinal para que Tom o seguisse e ele olhou para mim uma ultima vez sorrindo e acenou com a mão.

O dia seguiu normalmente, seguindo o cronograma deixamos tudo preparado para o inicio das gravações no dia seguinte.

A quantidade de pessoas havia diminuído e Andie e Lucas já estavam indo embora enquanto eu ainda tentava colocar alguns papeis em ordem e ao mesmo tempo comia uma maça tentando enganar a fome. Eu sou extremamente exigente no meu trabalho e gosto que tudo esteja perfeito, com tanta dedicação sobra muito pouco tempo para comer.

Você precisa ter pelo menos uma refeição descente por dia! Lucas gritou do outro lado da sala jogando a mochila nas costas.

Maça é saudável. Esteja aqui as sete nem um minuto a mais. falei sem olhar para ele. Lucas era um rapaz de vinte e quatro anos loiro pele bronzeada o típico californiano.

Andie passou por mim puxando meu rabo de cavalo. Ela é uma moça de vinte e três anos negra, cabelos cacheados.

Boa noite Bobbi.

Não respondi e escutei os dois saírem batendo a porta. Olhei pela janela e vi que já estava escurecendo. O clima frio persistia e eu sentia falta do verão, o quente e seco verão californiano. Meu celular tocou de repente e atrapalhada com a maça tentei atender. Era Dakota uma ex-vizinha e minha unica amiga na cidade. Dakota morava ao meu lado quando me mudei para a cidade e durante alguns meses fomos bem próximas, agora nos limitamos a nos ver nos fins de semanas. 

Oi Dakota. falei ainda tentado equilibrar o telefone.

E então quer uma carona? ela disse fazendo uma voz manhosa.

Ah obrigada, mas não. Tenho quer ir direto pra casa amanhã preciso estar aqui bem cedo.

E quem disse que eu não te levaria pra casa?

Céus Dakota eu conheço bem você. dei uma mordida no que restava da maçã e joguei-a na lixeira.

Eu estou carente... queria companhia. ela fez silencio e eu não respondi. Ok, mas nos vemos no fim de semana?

Sim. Saímos no sábado. falei tentando faze-la desligar.

Certo, vou deixar você em paz por hoje. Tchau.

 Desliguei o celular e joguei dentro da bolsa, fechei a mochila e a joguei nas costas caminhando em direção à saída. Dakota é a diversão em pessoa adorava tomar todas, divertir-se em boas festas regadas a muita vodca. Eu adoro isso, mas ela também consegue ser bem grudenta e eu sempre presei muito pela minha liberdade. Sempre gostei de ser sozinha e assumo que sou um pouco egoísta.

Caminhei até o ponto de ônibus e em quarenta minutos estava em casa, um complexo de apartamentos de solteiro bem modesto, mas bem aconchegante. Há três cômodos, uma pequena sala com um grande sofá cinza e uma TV enorme, uma pequena cozinha com uma mesa de vidro com dois lugares e um fogão quase nunca usado e minha suíte com uma cama box bem confortável e meu guarda roupa onde fica minha bagunça. Tudo bem simples, mas tudo comprado com meu dinheiro ganho à custa de muito trabalho. Eu tinha orgulho de tudo que conquistei e queria mais, muito mais.
Na manhã seguinte cheguei um pouco atrasada e corri direto para a sala de reuniões onde Ian daria as instruções gerais.

Coloquei a mochila no chão e desabei na cadeira, me curvando para pegar o Ipad na mochila. Quando ergui a cabeça para olhar para Ian que estava em pé na cabeceira da mesa. Tom se sentou sorrateiramente ao meu lado.

Bom dia! disse ele sorrindo e em seguida dando um gole num copo de café que segurava.

Bom dia! disse ligando o Ipad e tirando uma barra de cereal da bolsa.

Só isso? ele acenou em direção a meu lanche.

Tom se inclinou tão perto de mim que eu poda sentir sua respiração na minha bochecha.

Nada de café? falou com a voz mais baixa.

Ah eu não consigo comer direito pela manhã. Geralmente tomo café sim, compro do outro lado da rua, depois que tudo se acalma por aqui.

Ele me encarou por alguns segundos mais uma vez como se tentasse entender algo.

Seu sotaque é interessante. Você não é americana é? perguntou novamente tomando ouro gole de café sem tirar os olhos dos meus.

Não, sou do Brasil.

Novamente o silencio por alguns instantes.

E? ele falou erguendo as sobrancelhas e não pude segurar o riso.

E o que? desviei o olhar dele tentando ficar seria.

Ian nos interrompeu começando a falar sobre o filme, o cronograma os prazos e etc. Tom foi desviando o olhar de mim aos poucos e ainda pude ouvi-lo sussurrar entre dentes.

Tão misteriosa.

Após os avisos levantei me amarrando a todo meu equipamento e pedi a Tom que me acompanhasse ate o camarim dele. Abri a porta dando passagem a ele e ele entrou segurando a porta para que eu entrasse.

Obrigada, mas sou eu que devo fazer isso. sorri.

Eu faço questão. ele sorriu de volta.

Bom me avise se precisar de algo, gravamos em... olhei no relógio por um momento trinta minutos. tentei sair depressa da sala.

Bobbi! – ele chamou pela primeira vez meu nome e foi lindo. Eu escolhi esse estupido apelido há tanto tempo e nunca o tinha ouvido tão lindo como ele soava naquele sotaque galês sexy. Respirei fundo antes de me virar e ele continuou.

Posso ir com você quando for comprar café? disse passando as mãos nos cabelos e sentando na cadeira em frente ao espelho.

Fiquei em silencio por alguns segundos com a boca aberta sem saber o que dizer.

Eh... Eu posso... Posso trazer café pra você. falei gaguejando.

Não, eu quero ir junto. Caminhar um pouco. Você se importa se eu for?

Não... Quero dizer. Claro que não.

Ele abriu o sorriso largo dele, divertido, meio infantil até, e fiquei totalmente sem reação, apenas me virei e caminhei em direção à saída. Bati a porta nas minhas costas e soltei o ar dos pulmões.

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, estava totalmente desconcentrada e envergonha como uma garota de escola. Eu não entendia o porquê daquele interesse dele em caminhar comigo ate o outro lado da rua, mas sabia que ficar perto dele estava me deixando maluca.


O mais estranho é essa sensação de que já o conheço há muito tempo. Devido a nossas profissões parece normal que nossos caminhos se cruzassem mais cedo ou mais tarde, mas por que isso esta me perturbando tanto é o que não entendo. 




Próximo capitulo: Closer
Data de postagem: 27/10





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© Todos os Direitos Reservados | Alan Calvin | Adaptação completa por: Mariane Santos
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